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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Dia 31 de Outubro - Dia das Bruxas


OS QUATRO ELEMENTOS


"Seja terra", disse o mestre. "A terra recebe os dejetos de homens e animais, e não é perturbada por isto; muito pelo contrário, transforma as impurezas em adubo, e fertiliza o campo".
"Seja água", disse o mestre. "A água limpa a si mesma, e limpa tudo aquilo que toca. Seja água em torrente".
"Seja fogo", disse o mestre. "O fogo faz a madeira podre transformar-se em luz e calor. Seja o fogo que queima e purifica".
"Seja vento", disse o mestre. "O vento espalha as sementes sobre a terra, faz o fogo arder com mais brilho, empurra as nuvens - para que a água caia sobre todos os homens".

"Se você tiver a paciência da terra, a pureza da água, a força do fogo, e a justiça do vento, você está livre."


[Autoria Desconhecida]

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Há um cais de porto, pra quem precisa chegar



"...Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar

E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mais ainda sei me virar..."




(Lanterna Dos Afogados - Os Paralamas Do Sucesso)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Senta, que lá vem história...

No amor ou na dor, não importa, a vida sempre ensina. Aí vai de cada um, o tempo que se leva, pra “capitar” a mensagem... Qdo a gente se depara com um “pepinão”, aqueles problemas que aparecem do nada, nos acordando pra vida, sempre paramos pra pensar. Passa aquele filme, quase que em câmera lenta, com destaque pra dois momentos: os que nos arrependemos e os que fomos felizes. A verdade é que, até pouco tempo atrás, nunca havia me preocupado muito com saúde, pois pensava, na minha ignorância, que jamais fosse precisar. Vai ver achei que fosse imortal...

Sempre tive uma vida meio complicada, perdi meu pai cedo e de um jeito que não desejo a ninguém, não. Ele trabalhou a vida toda, e machista que era, dizia que lugar de mãe era em casa, cuidando da educação dos filhos. A obrigação do pai, era a financeira e ponto final. Mamãe, que era enfermeira, largou tudo e ficou em casa,cuidando de mim e minha mana. Para ele, o mais importante era o financeiro e trabalhava pra que não nos faltasse nada. Do outro lado, tinha a dona Vanda, que perdeu a mãe cedo e foi adotada com 2 anos. Quando ficou um pouco maiorzinha, a colocaram pra ser empregada dessa família e ela cresceu assim. Estudou, se formou, tudo com dificuldade. Depois conheceu meu pai, casou em seguida, pq não via a hora de ter uma família de verdade. Ela é uma mãezona, sem igual e sempre diz que a família que ela não teve, ganhou conosco, quando nascemos. Então acho que da pra imaginar, como nem somos mimadas, né?! hehehe

Minha mãe tentava insistir, mostrar ao meu pai os valores que ela buscava, tê -lo mais presente e não só o "supridor de grana", daquele lar. Nada adiantou, cada vez papai trabalhava mais e continuava ausente. Naqueles singelos momentos diários, de desenvolvimento, estava sempre distante. Por ser autônomo, não tirava férias nunca. Nós íamos pra casa da praia, de dezembro a março e ele parava só nos finais de semana. Com o tempo ele mudou, ficou diferente. Hoje sei que não é bem isso... A verdade é que uma hora temos que crescer, sair do "faz de conta", bater de frente com a realidade. Ele nunca bebeu, não lembro bem quando começou, mas quando a gente viu, estava agressivo, era um estranho dentro de casa. Foram dias bem difíceis. As vezes fazíamos sinal da cruz, pra entrar em casa, pedindo a Deus que ele não estivesse de mal humor. E eu dava graças a Deus, se ele tava fora, pq tínhamos paz...Nunca falo disso, sabe? No passado, ficava buscando um pq pra tudo. Perdi um tanto de tempo, agindo assim...

Eu e minha mana não sabíamos de nada, mamãe jamais deixou que, se quer desconfiássemos, do que acontecia por trás da porta do quarto de casal. Violência doméstica é silenciosa, quase sempre. As marcas maiores são internas, imperceptíveis aos olhos de duas crianças. Tinha uns 13 anos, quando passei a enxergar pra valer, pela primeira vez... Descobri tudo por acaso, ouvindo os dois brigando. Entrei no quarto, acho que tinha uns 16 pra 17 anos, não lembro direito dessa fase da minha vida. Sei que entrei e ele ia bater na mamãe, me meti e disse que se ele fizesse isso, chamaria a polícia. Briguei muito, disse coisas horríveis, pq me senti muito traída, por descobrir assim. Antes disso tudo acontecer, tinha meu pai como herói, mesmo ele sendo seco, por não saber demonstrar amor, sempre o admirei muito, pelo homem que ele se mostrava a nós, as filhas. Naquela hora, no quarto deles, meu pai me olhou nos olhos e disse que eu tinha morrido pra ele e que dali em diante esquecesse que tinha um pai. Ele saiu de casa e voltou só mais uma vez, pra buscar as coisas dele e levar quase tudo que tínhamos. Era inverno e ele levou todas cobertas, televisão, vídeo cassete, micro-ondas. Tudo que podia, tirou de casa. Tinha também uma poupança, que seria pros estudos das filhas, levou tudo, tudo mesmo.

Depois de um tempo fizemos terapia familiar e a psicóloga disse que ele deve ter surtado, pq era um homem que trabalhou direto, sem férias, sem parar. Nessas situações, a pessoa perde todo bom senso e faz coisas sem pensar, etc e tal. Só que eu não conseguia ver assim, não. Não conseguia perdoar isso que ele fez, era muita maldade. Minha mãe, como estava com mais de 40 e a mais de 10 anos fora do mercado de trabalho, não conseguiu emprego e nós precisávamos de dinheiro pra comer, tinham contas vencendo. Mamãe começou a fazer faxinas, não que isso seja algo desmerecedor, mas me doía ver minha mãe ter que passar por isso, sabe?!

Com ele “sumido” (pra não cumprir com nenhuma destas responsabilidades), foram dois anos que tivemos de nos virar. Com ajuda das minhas tias, conclui o segundo grau. Bem nessa época, ele voltou e descobrimos que estava muito doente. Não fui vê-lo, pq nunca perdoei. Minha mãe implorava que eu fosse até lá, que devia dar mais uma chance... Eu só conseguia pensar em pq ele tinha feito isso tudo conosco. Tudo me revoltava. Ficava muito brava, ao ver mamãe se importando com ele, depois de tudo. A última imagem que tenho dele, é do dia que dissemos aquelas coisas horríveis. Ele se foi, e nunca mais nos falamos... Fiz muita terapia, mas isso ainda é um problema que tenho, que mexe comigo. Hoje bem menos, já que consigo aceitar algumas coisas. Não é algo que penso todo dia, que fique remoendo, sabe?! Mas é uma coisa que, de certo modo e até contra minha vontade, trava minha vida, pq eu não consigo separar esse fato e meio que me bloqueio, pra um relacionamento, entende? Não me permito gostar muito de alguém. Lá no meu inconsciente ficou isso, que se envolver é sofrer. Não sei como explicar direito, o que sinto... Não sou uma pessoa fechada, nem amargurada, nem triste...Mas tem isso, que fica aqui no coração, as vezes por tempos e tempos adormecido, mas ta alí... E não me deixa em paz, de verdade, pra valer. Mas bola pra frente... Afinal, ninguém é normal, não é verdade???

Já vivi tanta coisa nessa vida. Já tive tudo e depois tive que reaprender a conviver com uma outra realidade. Graças a Deus, minha mãe sempre foi muito pé no chão e nos criou mostrando que, dinheiro não é nada nessa vida, até pq ela não tinha nascido em família rica, bem pelo contrário. Então, cedo comecei a trabalhar também, para ajuda-la. meu primeiro emprego foi numa creche, mas ganhava pouco. Fiquei 4 anos e foi aí que comecei a estudar, queria poder ajudar mais e este seria o melhor modo. O pouco que sobrava, investia estudando. Daí, minha mãe adoeceu, teve um tumor no pâncreas e não tínhamos nenhuma assistência médica. Naquele ano, foi todo dinheiro que tínhamos e que não se tinha, em função da melhora dela. Parei de estudar e voltaria assim que desse. Depois que dona Vanda ficou boa arrumei um emprego de babá . Cuidava de um menino de 5 anos e uma bebezinha, de 20 dias. O menino, ficaria um turno e meio na escola, enquanto eu cuidaria da menina e quando voltasse da aula, o ajudaria com as lições de casa . Ela me ofereceu pouco mais que o dobro daquilo que ganhava, coisa que nem pensei duas vezes, e aceitei. Então, quando vi, era uma babá. As vezes parava pra pensar, em como esse mundo da voltas... Nunca na minha vida imaginei isso.

E o tempo passa voando. Comecei pensando em ficar um pouco e quando vi, entrava ano e saía ano, e eu estava lá. A menina se criou comigo, entrei ela tinha 20 dias e quando vi, já estava com 6 anos. Eles são uma família muito, mas muito boa. Devo muito a eles. Sempre me trataram com muito carinho e respeito. As crianças eu amo demais, não da pra descrever aqui o que sinto por eles. Cada “tia Carol, eu te amo”, vale o que nada paga nesse mundo. Eles já me ajudaram tanto... Meus patrões são médicos e ele foi convidado para trabalhar fora. Então, era hora de me despedir deles, seguir em frente. Foi um início de ano bem difícil, chorei muito nesses dias, mas eu tinha sobrevivido né?! Assim que começasse março, iria procurar algum emprego novo e foi aí que comecei a ficar ruim, com um problema atrás do outro. É como dizem: mente sã, corpo são... Mas e quando o coração está em pedaços, quando nada faz sentido, quando se depara com limitações e tudo que se quer é dormir, um sono eterno? Parecia que havia perdido meus sonhos, como se nada mais fizesse sentido. Não é que não quisesse mudar, mas me perguntava pq faria isso, depois de tudo. Alguém já passou por isso também? Não pensava que fosse forte, nem se quer acreditava em mim... Porém, essas coisas aconteceram para abalar mesmo. Pra nos mostrar o sentido real da palavra fé. Aqui em casa, somos todas espíritas e, depois de me afundar numa depressão, busquei nos ensinamentos de Kardec, uma explicação, uma luz . Deus já me deu tanto puxão de orelha, como se fosse um chamado pra vida. As vezes, penso em tudo que estava perdendo, me colocando comodamente, como “a vítima” da situação. Naquilo que a vida havia reservado, para “pobre coitada” da Carol...

Não contava para ninguém, que era babá. Tinha muita vergonha. Não sei pq, inclusive nunca fui de ter preconceitos, mas aquilo me fazia sentir inferior. Sempre fiz meu trabalho com todo amor deste mundo, entretanto, não conseguia dizer isso assim, sem constrangimento. Sei que era bobagem minha, e sei da importância que meu carinho e dedicação tem na formação dessas crianças, mas tinha vergonha. Acontece que quando eu me vi doente, com o rosto desfigurado, precisando de ajuda pra comer, sem conseguir nem ao menos falar, foi aí que vi a grande idiotice que era eu pensar assim. Pq sabe, não somos NADA nessa vida. Nada mesmo, pq nunca sabemos do dia seguinte e do nada tudo pode mudar. Nesses 6 anos que trabalhei com essa família, fiquei muito acomodada e não busquei tentar correr atrás dos meus sonhos, sei lá. Minha mana, nesse meio tempo, começou a estudar também, ajudava ela a pagar a faculdade. E não me arrependo, não. Sou meio estranha mesmo e nunca tive muitos planos pra mim. As vezes, penso que posso ser feliz com bem pouco, de verdade. Sei que para ela é muito mais importante, um curso superior, qdo para mim era só um algo a mais, já não era mais nenhuma prioridade. Ainda hoje falo para mamãe que um trabalho que me permita pagar minhas contas e viver em paz, é só o que desejo agora, sabe?! Eu só quero saúde, pra buscar ser feliz.

Hoje estou bem, graças a Deus. Voltei a trabalhar com educação infantil, o que me traz imensa felicidade. Meu coração está em paz. A cada dia me sinto mais fortalecida, viva. Isso tem sido a cura, pra mim. Aprendi direitinho, a lição que o cara lá de cima teve a paciência de ensinar, já que aqui a cabeça é duraaaa... hehehe
Não sei o que vem pela frente, mas sei da força que tenho e da fé, em Deus e em mim. Aprendi que não tem saúde nesse pais, para quem depende do SUS, onde nem medicamentos eles dão. Olha, é fogo... Esse povo, cara de pau, ainda quer ganhar voto. Vai pra PQP!!! Descobri que, o amor incondicional de uma mãe, é a força que move o mundo. Sorte a minha, que tenho a melhor de todas. Família é tudo e é ela que estará sempre comigo. Aprendi que quando não estamos muito boa pra falar as coisas, que se faça o silêncio. Os amigos de verdade saberão te ouvir, mesmo assim... Que cada um tem seus problemas. Que os meus não são maiores ou menores que o do outro, e sim, sob medida, para que eu possa resolver. E assim mesmo, sempre estarão por aí... É crescimento... E como eu disse lá em cima: cabe somente a nós, o tempo que levamos para aprender com eles.

Me disseram uma vez, que com o tempo, tudo passa. O amor e as lembranças, que contam nossa história , não devem passar, jamais...



Caroline

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Nadando contra a corrente, só pra exercitar

É pessoal, aqui em POA minha candidata não venceu. Fazer o que, não é? Na democracia vence sempre a maioria, esteja certa ou não. Mas não devo esmorecer... Em frente de casa fica o comitê principal, do outro candidato, ou seja, assistimos a festa de camarote, na sacada do apê. Como o que não tem remédio, remediado deve estar, o negócio era aproveitar.

Já que não se pode ir contra um TRIO ELÉTRICO, com uma BATERIA DE ESCOLA DE SAMBA, tocando a todo vapor, dançar era a solução. Estamos no Brasil, onde tudo acaba em PIZZA, ops, SAMBA... E o povo dança, SEMPRE!!




“...Ver TV a cores, na taba de um índio
Programada pra só dizer sim, sim

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim

Grande pátria desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
(Não vou te trair)...”


( Brasil – Cazuza )

sábado, 25 de outubro de 2008

Simplesmente o amor...

Encontrei no blog da Martha Medeiros, esta reprodução de uma carta. Feita em homenagem ao pai, o ator Fernando Torres, foi escrita pela filha, Fernanda.
Veio a calhar, já que ando meio sem muita vontade de falar, escrever... Parece que o mundo anda de cabeça pra baixo, é um baque atrás do outro. Acho que é hora de refletir... O que faço de PRÁTICO, pra mudar isso??
Minha vontade bate de frente com as limitações e dentro do meu mundinho, procuro uma solução... O futuro também pertence a mim, a todos nós.
No meio de tantos atos de desamor, falta de compaixão, desrespeito e uma base familiar completamente desestruturada, pela tal modernidade que tudo permite, nas palavras de despedida desta filha, encontro o amor, puro e simples... Talvez o único remédio, pro caos em que vivemos.
Achei lindo, emocionante... Tenho que dividir com todos vocês, meus amigos.

Daqui a pouco volto. Assim que estiver mais animada... Ou melhor, menos revoltada.

Carol



A DANÇA DA MORTE



"A peça Seria Cômico Se Não Fosse Sério, de Friedrich Dürrenmatt, foi o melhor espetáculo teatral que meus pais produziram em anos e anos de parceria. Baseada na Dança da Morte, do dramaturgo sueco August Strindberg, ela se passa no início do século passado e conta a história de um general aposentado, Edgar, e sua esposa, Alice, que vivem às turras, isolados em um farol. Um dia, o casal recebe a visita de um primo mafioso, que se esconde com eles no alto da torre. Depois de desassossegar a vida dos dois por doze vertiginosos rounds, o primo cafajeste se manda, devolvendo o par à sua mais derradeira solidão.

Jamais vou esquecer meu pai com barbas de Matusalém, vestido de general da I Guerra, dançando furiosamente a Dança dos Boiardos. Era sensacional. Lá pelo fim do espetáculo, Edgar se levantava louco, altivo, e dizia:

– Agora vou dançar a Dança dos Boiardos!

E começava uma coreografia ensandecida, meio russa, meio gaúcha, pulando em torno de uma espada no chão. Querendo exibir vigor ao primo escroque da esposa, Edgar dança até o limite de suas forças e acaba sofrendo um AVC. A peça termina com Edgar numa cadeira, seqüelado pelo derrame, e Alice arrumando a desordem da casa por causa da passagem do primo.

Era de uma beleza terrível, cortante, teatro com T maiúsculo. Quem viu sabe. Como com teatro não se brinca, havia ali o prenúncio de algo que viria a acontecer com meus pais anos depois, só que de maneira muito mais doce, amorosa e redentora. Minha mãe cuidaria dele, e ele dela; mais ela dele, por problemas de saúde, no terço final de seus 57 anos de casados. Uma amiga gostava de dizer que meu pai ainda estava vivo porque minha mãe e ele queriam assim.

Em 1986 meu pai sofreu um primeiro derrame, não detectado, durante a representação da tragédia grega Fedra. Ele esqueceu o texto em cena e, como a neurologia ainda engatinhava, levamos anos para entender que não era um problema psíquico, mas físico, o início de sua dança da morte, que levou vinte anos para acontecer.

Meu pai é um mistério tão grande para mim que fica difícil falar dele numa crônica. Mas, como estou chegando à conclusão de que todo pai é um mistério para os filhos, ao contrário das mães, que são desabridas, arrisco aqui um modesto perfil.

Dono de um humor cortante, que seria cômico se não fosse sério, doce e sádico, careta e maluco, velho e criança, meu pai foi produtor, diretor e ator, um homem dedicado a todas as facetas do teatro. Teve coragem de largar a medicina, enfrentando o pai médico e político dos tempos da política do café-com-leite, para fazer parte dessa profissão etérea. Dizem que o estalo se deu no trote da faculdade, quando em plena Cinelândia ele gritou: 'Fiat Lux!'. E as luzes da praça se acenderam numa sincronicidade cósmica. Foi ali, logo de cara, que perdemos um médico e ganhamos um diretor. Devo a ele toda a minha curiosidade científica, devo a ele dizer o que penso, devo a ele o cinema, a infância, Veneza, Machu Picchu, Buenos Aires e as montanhas russas. Devo ao meu pai tudo o que sou que não é ser atriz, e certamente devo ao meu pai a promessa de alguma serenidade diante da velhice e da morte.

Como ele adoeceu há muito tempo, as lembranças do homem de teatro, do pai jovem e doidão, do barbudo enraivecido pela censura de Calabar se misturam fortemente com as do Fernando de saúde frágil com quem convivi nos últimos tempos. É muito difícil para um filho lidar com a doença de seu pai. Por isso, gostaria de agradecer às muitas pessoas que nos ajudaram nesse período, em especial à Roberta, sua fisioterapeuta, aos enfermeiros Jorge e Cristiano e, acima de todos, à doutora Lúcia Braga, do Hospital Sarah Kubitscheck, que deu ao meu pai cinco, seis, dez anos a mais de vida, libertando-o dos especialistas em doenças, cortando catorze medicamentos e colocando no lugar o teatro, os barcos, o pingue-pongue e a vida; e à doutora Claudia Burlá, geriatra, especialização cuja profundidade só fui entender na noite em que meu pai morreu, em casa, conosco em torno dele, e com ela. Sem tubos, sem CTIs, sem prolongadores artificiais de respiração ou batimentos cardíacos. Foi ela que mandou chamar a mim e ao meu irmão, foi ela quem nos ajudou. A morte do meu pai foi uma experiência tão caseira, humana, pacífica e acolhedora, apesar do sofrimento e da dor, que me fez por alguns segundos achar que esse absurdo que é a morte, afinal de contas, pode fazer parte da vida.

Um salva de palmas para ele. Foi um guerreiro discreto, forte e corajoso. Espero conseguir ser assim quando chegar a hora de eu dançar a minha Dança dos Boiardos."
(Fernanda Torres)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

NERUDA

Fica proibido chorar sem aprender,

Levantar-se um dia sem saber o que fazer,
Ter medo das tuas recordações.

Fica proibido não sorrir ante os problemas,
Não lutar pelo que queres,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar em realidade teus sonhos.

Fica proibido não demonstrar o teu amor,
Fazer com que alguém pague pelas tuas dúvidas e pelo teu mau humor.

Fica proibido deixar os teus amigos,
Não tentar compreender aquilo que viveram juntos,
Chamá-los somente quando precisa deles.

Fica proibido não ser tu perante todos,
Fingir para as pessoas que não te importas...


"... Pessoas comuns, filhos de Deus..."



Pessoal, estou muito feliz! Aos poucos retorno a minha vidinha. Hoje, paro e penso: como pode, a simples rotina do dia a dia, ter o poder de me fazer sentir tão viva? Sei que tenho ainda pela frente pequenas batalhas, mas a força de vontade e a fé, em que dias melhores estão aí, esperando por mim, fazem desta nova Carol uma guerreira “porreta”. Não “carece” mais nenhum susto, viu Senhor?! Captei todos recados... Como diz minha amiga Rita: “ Nessa canoa furada, remando contra a maré. Não acredito em nada... Só não duvido da fé. Nem luxo nem lixo... Quero saúde prá gozar no final...” Agora só tenho que agradecer, por mais esta chance, pela confiança... Como diz o Fábio: “Brigaduuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!”
Nos próximos meses farei um curso, depois de um tempão “hibernando”, quero melhorar minha capacidade, me reciclar. Pareço criança, no primeiro dia de aula, contando as horas. Pronta para mais este recomeço. Feliz da vida!

Remexendo minhas coisas, encontrei alguns email, que tinha enviado aos amigos. Neles, conto as aventuras de uma garota carioca, em visita pelos pampas. Conheci essa amiga “virtualmente”. Mantivemos contato por um ano todo e nisso a amizade foi crescendo. Assim que surgiu uma oportunidade, ela veio me conhecer, isso no verão passado. Foi uma experiência diferente, já que foi a primeira amiga “via internet” que me dava um abraço real, saindo daquele mundinho “su- virtual”.

Conhecer gente nova, conquistar novos afetos e amizades, sempre é valido, seja do modo que for. Acontece que não há nada melhor do que o olho no olho, aquele friozinho na barriga, na espera pelo primeiro contato... Desejo que eu tenha novas oportunidades, de conhecer muito mais pessoas, que através da net entraram em minha vida, para ficar.

Tomara que gostem, prometo dividir com vocês. Pois, na semana que vem, GRAÇAS A DEUS, é bem provável que não tenha tempo nem para me coçar... Deixo como minha "carta na manga", pra caso o cansaço consuma minha mente pensante. hehehe

Beijinhos

Carol

É hora de crescer.

Gente


É tão bom ser “civilizadamente” educada. Saber que as pessoas podem pensar diferente, que idéias não precisam bater uma com as outras e que nossas verdades não serão sempre as mesmas dos nossos pais, amigos, amores, etc. Mas nada disso fará de mim melhor ou pior que tu. Somos simplesmente diferentes. Simplesmente e tão somente isso.

Acho incrível, a possibilidade que uma mesma situação, possa ser vista por vários ângulos, dependendo de quem a analisa. São vários lados, de uma mesma moeda. Cada um faz a leitura que quiser, de cada acontecimento. Cada um age e reage de um modo muito pessoal, particular. Não somos robôs, pré- programados. Todos temos uma opinião para dar, acontece que ninguém é dono da verdade absoluta. Nem eu, nem você.

Tente dizer não, para uma criança ainda pequena, e veja se ela aceita na boa, quietinha... Que nada! De pequenos já tentamos impor nossa opinião. Está certo que, nesta mesma época, achamos que ela é lei e quando não cumprida vem as birras, lágrimas e muito chororô. Então o tempo passa, a gente cresce e a vida age. Ela trata logo de nos mostrar que não é bem assim...

Todos podemos ter nossa opinião SIM. Só que muito além disso, precisamos aprender a respeitar a dos outros. Isso é crescer. Ninguém é obrigado a pensar como eu, nem mesmo a concordar com o que faço ou falo. O respeito, sempre numa via de mão dupla, é fundamental para convivência em sociedade. Respeitar diferenças.

As diferenças não podem eliminar a EDUCAÇÃO.

Ô povinho que não aprende...



Em tempo...



O Gayleto estava MUITO BOM!! Fazia um tempinho que não me divertia tanto, dei muitas risadas. O melhor de tudo foi ficar observando os “homens”, chegando com suas esposas ou namoradas, visivelmente constrangidos. Porém, nada que uma boa música e alguns copos de cerveja não resolvam. Qdo vi, estavam no meio da pista, ao som de:

” Abra suas asas
Solte suas feras
Caia na gandaia
Entre nessa festa
E leve com você
Seu sonho mais louco
Eu quero ver seu corpo
Lindo, leve e solto
A gente às vezes
Sente, sofre, dança
Sem querer dançar
Na nossa festa vale tudo
Vale ser alguém como eu
Como você...”


Todo mundo soltou a franga, literalmente. E vivam as diferenças!!!

domingo, 19 de outubro de 2008

É momento de pensar...

Eu pedi força... e Deus me deu dificuldades para me fazer forte.
Eu pedi sabedoria... e Deus me deu problema para resolver.
Eu pedi prosperidade... e Deus me deu cérebro e músculos para trabalhar.
Eu pedi coragem... e Deus me deu perigo para superar.
Eu pedi amor... e Deus me deu pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores... e Deus me deu oportunidades.

Eu não recebi nada do que pedi... mas eu recebi tudo que precisava.

(Lourdes)

Dias Melhores



“Vivemos esperando
Dias melhores
Dias de paz, dias a mais
Dias que não deixaremos
Para trás

Vivemos esperando
O dia em que
Seremos melhores
Melhores no amor
Melhores na dor
Melhores em tudo

Dias melhores
Prá sempre...”


(Jota Quest)

sábado, 18 de outubro de 2008

Pra onde vai?

Meu Deus! Onde vamos parar, com tanta FALTA DE LIMITES, que vivenciamos por aí?

O desamor próprio e a desordem das idéias, de uma cabeça doentiamente apaixonada, só poderia levar a este desfecho TRISTE, na história passional, que acompanhamos nesta semana. Vi pela TV o relato de um amigo do rapaz, dizendo que ele sempre se portava “normalmente”, tanto no trabalho, entre a família. Mas aí mora meu maior medo, pq JAMAIS saberemos o que se passa no íntimo de uma pessoa. Somos todos bombas relógios, prestes a explodir, agindo sem pensar. Vivemos num constante e tênue limite, entre o normal e o anormal, entre fazer o certo e agir feito animais, irracionalmente. Essa é nossa realidade, como seres humanos. Fico aqui, tentando entender isso tudo... Vejo do seguinte modo: vive pela metade a pessoa que precisa de outra, pra se sentir amado. Difícil se mostrar completo, qdo na verdade ele não acredita em si. Precisa de alguém pra constatar que é importante, que faz falta, que pode seduzir e encantar. E se, de repente, perde isso tudo, fica sem chão. Apenas uma parte de si estará ali, somente metade rirá com os amigos, se dará pela metade no trabalho, pois apenas uma parte de si vive o dia a dia, pois um amor assim nos faz esquecer quem somos.

O amor se transforma em um sentimento destrutivo, que aos poucos vai dando sinal SIM. Mas aí volto a velha questão: quem realmente se importa com o outro? Quem tirou alguns minutinhos do seu tempo, pra parar e observar que esse rapaz não estava bem? Quem está disposto a ver além daquilo que nos permitimos mostrar? É complicado viver num mundo assim, onde cada um cuida do seu umbigo e Deus mal tem tempo de cuidar de todos. Um rapaz na situação dele, tendo que digerir o desprezo da pessoa desejada, fica triste e muito chato. Aquilo vira uma idéia fixa, transformando-se nesta doença toda. Tudo que fizer, fará mal, não tem paciência, enlouquece aos poucos, se embaralhando em pensamentos destrutivos. Buscando um pq, que na verdade, a “cegueira” não o deixa ver. Tem uma hora que nada mais distraí. É que nem droga, sente uma dependência sem fim daquilo, fica obcecado. Pra mim, PROXIMIDADE = AMOR. Se vc ama um amigo, o irmão, o filho, um namorado, seja quem for, a proximidade, e o cuidado que ela traz pelo outro, fará que se note essas pequenas mudanças, identificando um possível pedido de SOCORRO. Mas onde iremos parar no: "cada um por si e salve-se quem puder"?

Pelo que vejo, neste caso, chegou a um ponto que parecia não ter outra saída. Aquela menina estava condenada, desde o princípio. Ele sabia, no seu íntimo, que nada que falassem ou fizessem isso mudaria. Minha crença no espiritismo, faz com que as coisas tenham dimensões diferentes. Acredito que esses três jovens: Nayara, Eloá e Lindemberg, de uma forma ou de outra, teriam que enfrentar essa pendência juntos. Nada acontece por acaso, porém podemos influenciar em nosso destino. As coisas poderiam ter sido diferentes SIM. Na minha família, com a criação que tivemos, dificilmente teríamos um envolvimento com essa idade. Aos 12 anos brincávamos de bonecas. Tudo bem que os tempos são outros, mas acredito que quem faz o ladrão é a ocasião. Quem não da uma estrutura familiar aos seus filhos, não impõe limites qdo precisa, infelizmente vai chorar as conseqüências disso. Isso é fato!

A história poderia ter sido outra? Acredito que sim. Todos nascemos com uma missão pré estabelecida. Qdo aceitamos vir pra este mundo, aceitamos passar por todos esses “perrengues”. Acontece que chegando aqui, no desenrolar de uma vida, temos nosso Livre- arbítrio. Essa rapaz teve a chance de fazer o certo, seguir em frente e deixar que a menina vivesse a vida dela. Depois, com o fato consumado, teve mais uma vez a oportunidade de reescrever sua história, se entregando. Ele escolheu o caminho da dor. As duas jovens, ligadas a ele pelo destino, também tiveram esse momento de escolha. Todo mundo tem. Por favor, né... Um absurdo, uma CRIANÇA da idade que ela tinha no início, namorar um ADULTO. Ver o descaso dos responsáveis... Responsáveis???

Sinceramente, só resta desejar que siga em paz, a menina Eloá. Pois mesmo que sobrevivesse a isso tudo, já teria sua vida prematuramente podada. Que o cara lá de cima conforte os que por aqui seguem... É muito triste assistir pela tv a banalização de uma vida. Fiquei bastante tocada, mas se conhecermos a real história dos três, compreenderíamos que, PARA TUDO, sempre existe uma razão. Nossa vida é feita de escolhas... Só peço que Deus me guie, sempre pelo caminho do bem, já que o outro caminho... Este não tem volta.



“ Mais uma vida jogada fora
Sonhos que vão embora, antes da hora
Sonhos que ficam pra trás... “


(Pra Onde Vai? - Gabriel O Pensador)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

RELAX

Chuvinha lá fora, cansaço de uma semana toda, pernas pro ar e Paula Toller na vitrola. Que mais posso querer da vida?
Que venha o fim de semana...



"... Será que existe alguém
Ou algum motivo importante
Que justifique a vida
Ou pelo menos este instante

Eu vou contando as horas
E fico ouvindo passos
Quem sabe o fim da história
De mil e uma noites
De suspense no meu quarto..."




(Lágrimas e chuva - Kid Abelha)

Falando em tatuagens...

Sempre tive vontade de fazer uma, mas faltava coragem. Minha mana tem 4 (uma borboleta com tribal no seio, o nome dela, em árabe, na linha da coluna, uma rosa no tornozelo e umas estrelinhas na nuca), tinha uns 17 anos qdo apareceu com a primeira. Lembro direitinho, minha mãe ficou apavorada, preocupada que desse algum problema. Ficava indignada, por a Karine ter deixado que fizessem essas “cicatrizes”, chama até hoje assim. Qdo vi, da primeira vez, tinha aqueles pontinhos de sangue que ficam. Já passei mal, só vendo aquilo. Então, imaginar a agulha, furando... Deus me livre! Mas depois, com o tempo, ficou tão lindo, que até me empolguei. Isso 7 anos depois...

Bom, só pra terem uma idéia, remarquei 3 vezes com o tatuador, pq chegava o dia, me dava muito nervosismo e eu desistia. Morro de medo de agulha, só de pensar, ficava em pânico. Qdo não teve escapatória, deitei naquela maca e só rezava pra não sentir dor, um fiasco, só eu mesmo... ahuahuahuahuahuahua
Custei muito a escolher qual seria. Queria pq queria algo que tivesse uma libélula, por ter um significado pra mim. E também pra marcar uma transformação, que eu estava passando. Sempre gostei delas, me lembram dias de verão, calor. E sol é vida. E daquela fase em diante, era isso que eu buscaria, VIVER INTENSAMENTE. Só que não encontrava nada que gostasse. Sou muito chata mesmo, detalhista. E já que era pra sofrer com dor, que fosse algo que me encantasse.

Depois de uma procura sem fim, encontrei minha tatoo e foi amor a primeira vista. Além de ter minha libélula, quem a protege é um ser mágico, um elfo menina. Conta a história que são seres de longa vida ou imortalidade, com poderes mágicos e ótimos guerreiros. Então, ela sempre estaria ali, me acompanhando por toda vida, trazendo proteção e força, pras batalhas do dia a dia. Portanto, tinha meu ideal de vida simbolizado pela libélula e minha fé, representada pela figura do ser mágico, aquela proteção invisível aos olhos, mas que não contestamos, pois basta senti- la no coração. Não sei se me fiz entender bem, mas foi nisso que pensei, ao decidir por ela.

Olha, qdo começou, só pensava em matar minha mana. Pq ela me disse: “NEM DÓI”! Nem dói POUCO. Passei 2hs sentindo muita dor, queria parar no meio do processo, mas ficaria ridículo, né? E a cabeçuda aqui, ainda tinha escolhido uma tatuagem cheia de detalhes. Cada vez que eu pensava que tinha acabado, o moço dizia: “Agüenta aí, falta mais um pouco...” Aquele POUCO não acabava nunca, minha vontade era chorar. Só sei que paguei todos meus pecados, naquela manhã, deitada naquela maca. No fim, valeu a pena, ficou exatamente como eu queria. Linda! Mas agora quer saber se me animo pra uma próxima?? CLARO QUE NÃO! Ela bem sabe, É FILHA ÚNICA DE MÃE SOLTEIRA. hehehehe

Pode até ser, que daqui alguns anos, pense diferente. Hoje não faria, nem de graça. Mamãe diz que não consegue entender, como podemos pagar pra sentir dor... Nem eu entendo. Mas agora ela já está aqui, pra sempre, contando uma história e me lembrando: “Trata de viver, pois a vida é curta, viu?!”

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Programação pro final de semana

Pessoal

É uma pena que a maioria dos meus amigos blogueiros não morem aqui do sul, como eu. Gostaria muito de convidar todos vocês, pra um programa muiiiiito divertido, um GAY-LETTO.
Esta será a quinta edição e contará com atrações internacionais. Depois que o povo saborear um galetinho com salada, a animação fica por conta das misses. As divas glamourosas, desfilarão em trajes ultra mega luxo, para um júri escolhido a dedo.
Escolha sua preferida. Traga sua faixa, pompons e frufrus. Solte a franga, venha torcer bastante por sua miss gay-letto 2008. Depois terão shows performáticos, brincadeiras e muita música, para liberarmos aquela “bibinha” faceira, que vive dentro de nós.
Ah! Antes que os malas, moralistas e puritanos comecem a falar... É um evento familiar, onde todo mundo brinca e se diverte, de uma maneira muito saudável. Participam muitas crianças e TODOS respeitam as famílias presentes.
Para quem está aqui pertinho e quiser dar uma conferida, tem tel de contato aí no convite. Para aqueles que perderão, prometo tirar muitas fotos e postar aqui.





Será nesse domingo. Já estou contando as horas... Ao som de I Will Survive

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Dia 15 de outubro - Dia do professor

Sabe, tive um probleminha de saúde. Por um certo tempo, ficava lastimando e tentando encontrar respostas. Na verdade, tinha era muito tempo pra pensar besteiras. Precisava reagir... Daí, de repente, abre uma porta e me vejo em uma outra realidade. Depois de um período longe de tudo, reencontro a realização. Sentada entre as crianças, cercada de tantos rostinhos, via admiração. E não podia decepciona -las. São crianças maravilhosas, espertas, carinhosas e com uma fonte inesgotável de energia. Deu até vergonha das reclamações que fazia. Acabou na hora a sessão "sofrenilda". Entendi que Deus queria me mostrar algo. Naquele momento, redescobri qual minha missão. Parecia que estive dormente... Como pude esquecer desses momentos singelos, mas de extrema importância?

Está aí, precisava ouvir de novo o riso solto, aprender com eles, sentindo o correr do dia, visto pela olhar infantil. Precisava dessa leveza, sem maiores expectativas no futuro, sem reter dores que tenham passado. Viver no agora, se deixar levar. Educação pra mim sempre foi muito além do “ensinar e cuidar”. É um ato diário de amor, é exercício de paciência. Como plantar uma sementinha curiosa, alimentada pelo saber. É mostrar o mundo através de uma janela. Servir de guia, na viagem ao universo dos sonhos. É pura troca de afeto, companheirismo. Trabalhar com educação infantil, ainda lá nos primeiros passinhos, é a coisa mais revigorante que eu poderia ter. Receber um beijinho estalado, aquele abraço apertado e um “TE AMO, TIA CAROL”, não tem preço. Cada letrinha descoberta, cada sol escondido entre montanhas, bilhetinhos regados de carinho, a cada novo degrau, sei que são minhas marquinhas que deixo com eles. E o mais importante, entre isso tudo, são os laços eternos que ficam, pelo amor que damos e recebemos, através do ato sublime de educar.

No dia de hoje, quero parabenizar também todos os mestres que tive, em especial a primeira, “tia Ana”. Obrigada por todo carinho e paciência. Procuro ser uma boa educadora, dividindo com minhas crianças o que aprendi com cada um de vocês, que EDUCAR É FAZER SONHAR . Amo profundamente cada um desses anjinhos. Não troco isto por trabalho nenhum, com esses chatos, os adultos. E assim sou feliz. De um jeitinho simples e verdadeiro, como tudo deve ser.




Um abraço a todos os professores. Parabéns!!

Mais um pouquinho de mim...


Brinquei de boneca até os 14 anos. Até então, esperava o conto de fada, acreditava no príncipe encantado e no felizes para sempre. Foi bem nessa época que descobri que a vida a dois vai bem além de flores e pássaros verdes, cantando ao fundo. Foi bem com essa idade que vivi a separação dos meus pais. Esse início de “pré- aborrecência” foi bem traumático, marcado por traição, brigas, muita mágoa e decepção. Depois de pouco tempo, meu pai se foi. Levou meu silêncio e desprezo, foi embora sem nunca mais termos nos falado. Isso custou muito caro. Lembro somente de sentir uma tristeza sem fim, desespero, raiva, desânimo, arrependimento e por fim sentia impotência, perante a vontade de Deus. Me sentia fraca, pra lutar contra o que fosse. Uma desilusão, pelo que a vida tinha guardado pra mim e que não me permitia olhar pra frente. Vivia por viver, nada mais.

Fiz terapia. Mas foi imprencidível, o apoio da minha família e amigos, pra que eu saísse do fundo do poço. Com tudo, ficaram algumas marcas, cicatrizes, muitas vezes escondidas, mas que as vezes ainda doem... E nem sempre só em dias chuvosos. Sou uma barreira, praticamente intransponível, quando o assunto é coração. Relacionamentos pra mim, são o mesmo que sofrer. Essa é a realidade do meu subconsciente, que se arma de tudo que é jeito, tentando me afastar dar dor que é amar. Aí entra meu consciente, tomado de restígios, daquela menininha sonhadora, que nutre esperança por um amor de soneto.

Meu primeiro namoro aconteceu por acaso. Nunca fui de sair. Sou caseira mesmo e não troco o dia pela noite. Mamãe sempre mexia comigo, que desse jeito o tal “encantado” teria que vir bater em nossa porta. Algum entregador, carteiro, algo assim... Não foi bem isso, mas fui conhecer meu namorado no meu primeiro emprego, éramos colegas. Custei muito a perceber que ele queria algo comigo e feita a revelação, enrolei mais um tempinho pra aceitar, pq não pretendia me envolver com ninguém. Acontece que o Antônio é daquele tipo de homem que toda mãe sonha como genro, sabe? Daquele tipo que nem existe mais, á moda antiga. Era um pouco mais velho que eu, com meus 20 anos. Aos poucos foi me conquistando e me vi envolvida, encontrara nele tudo que havia sonhado, uma certa vez. Me sentia uma princesa. Sentia tudo, menos amor da minha parte. Não tinha se quer aquela paixão, aquela coisa de pele. Não, nada disso! Eu vivia um constante encantamento, porém, na contramão disso, sentia um vazio enorme, era tudo morno.

Um dia, conversando com uma amiga, ela sugeriu que eu tentasse. Falou que aprender a amar era muito mais fácil que deixar de amar alguém. E foi isso que fiz, por 2 anos da minha vida, vivi me enganando. Tentava com todas minhas forças encontrar algum sinal, algo que me dissesse que estava nascendo o tal “ amor”. Onde estavam as borboletas no estômago? Onde estava o coração acelerado? Enfim, nada acontecia. Custei muito a terminar com isso tudo. Primeiro pq sempre tem o lado “ vou pensar em mim”, pura vaidade, egoísmo, confesso. Me sentir amada daquele jeito, era mil vezes melhor que sentir solidão ou desprezo. Segundo, pq não queria encarar a real, ter que magoa- lo ao dizer a verdade. Quem visse de fora, acharia que era um mar de rosas, mas como diz a música: “Cada um sabe a alegria. E a dor que traz no coração...”. Não sei se encontrarei nessa vida outro homem que me ame tanto qto ele amou. Tanto, que por algumas vezes, chegou a esquecer do amor próprio. Só que qdo as coisas chegaram a esse nível, tomei coragem e decidi que não era justo continuarmos assim. Era hora de deixa- lo seguir e retomar minha estrada também. É incrível como perdemos a admiração e o respeito por alguém que não se valoriza. Como num velha verdade, que sempre me diziam: “ pra alguém nos amar, temos que nos amar primeiro”.

Estava tudo sempre certo, tudo sempre bom. Queria fogo, emoção... Aí cansei. A essa altura, achava que o problema era comigo, por não conseguir corresponder tudo aquilo que ele me oferecia. Me sentia um monstro, fria, com uma cabeça cheia de minhocas e uma dona mais problemática ainda. Maldizia minha referência masculina, pela decepção que tinha virado o maior herói que uma menina pode ter, o pai... Decidi que era melhor tentar a sorte no jogo, pois pro amor tava complicado. O que aprendi com isso tudo? É que meu sexo “frágil” é BURRO também. Qdo estamos carente e alguém aparece pra suprir isso, a cabeça nem pensa direito. Aí a vaca vai pro brejo mesmo... Mulheres... No fim abri mão de vivenciar emoções, a troco do medo de me machucar e foi exatamente isso que fiz. Então, vale a pena tentar sempre. Pq se a gente cair, teremos que aprender a levantar e assim é a vida. Medo é ATRASO e viver é DESAFIO. O meu maior desafio, é aprender que não somos espelhos do que acontece ao nosso redor. É acreditar de verdade, que pode até existir o “felizes para sempre”, mas as alegrias e tristezas do dia a dia, é que vão construindo o “ eterno enquanto dure”. Não se pode é desistir de tentar... Aprendi a me cobrar menos e aceitar o que tem guardado pra mim.
A verdade é que ter aquele alguém pra chamar de “meu”, nunca foi prioridade na minha vida. Até pelo contrário, por várias vezes me escondo, auto- preservando meu coração. Mas as coisas acontecem, mesmo sem que façamos planos. A vida age por conta. E foi assim que conheci uma outra forma de amor.

Sobre isso, conto outro dia...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

E o que me importa?


Até onde nos preocupamos realmente com a situação de alguém? O que queremos dizer com um “tudo bem?” ? Quem de verdade se importa? Eu estava pensando aqui, qual seria o significado de manter um blog, contando minhas histórias. Pensando em até que ponto isso interessa a mais alguém que não seja a mim mesma, já que faço dele meu divã. E se um dia eu começar a escrever sobre a parte mais chatinha, maçante, o outro lado da moeda? Reparei que não exponho aqui meus defeitos, meus erros e as coisas que, do meu ponto de vista, aí sim serviria pra alguém tirar uma lição. Então, volto pro começo, pq acho que espantaria todos meus leitores e sigo assim, sem tocar em feridas.

Todo mundo gosta de atenção, massagem no ego, todo mundo gosta de sentir-se amado e que, de uma forma ou outra, desperta o interesse do outro. Ninguém escapa disso, é da natureza humana. Mas nem todo mundo gosta de perder alguns minutinhos de sua vida, pra ouvir o que temos a dizer. Tem gente que não tem paciência mesmo, pra estar junto, nas horas ruins. Demonstrar um pouco de compaixão, um ombro amigo, por aquele que está precisando, é coisa pra poucos. Altos e baixos estão aí, em nosso dia a dia. Me pergunto até onde posso dividir o que sinto, quando vem alguém e manda a frase: tudo bem contigo?

Será que pra preservar uma amizade, ou seja, o “saco” dos outros, devemos ser “curtos e grossos”: está tudo bem! Inclusive qdo as coisas não vão tão bem assim e tudo que você queria era poder desabafar. É, acho que é isso mesmo, pra conservarmos as pessoas ao nosso lado, cada um com seus problemas. Infelizmente, ainda tem muita gente que age assim: venham a MIM. Ao vosso reino, NADA. Ah! Está aí uma coisa que aprendi também, como alguém irá se importar com algo que não dá valor? Se você tem amigos de verdade, ou quer reconhecê-los, basta que procure por eles na hora do aperto. Pode ser que encontre só uma mão, junto a tua, porém esta mão vai te segurar, qdo a vida se encarrega de certas rasteiras e te ajudará a levantar. Amigo é quem te escuta, entende que a vida não é uma eterna festa, decifra teu “tudo bem comigo” dissimulado. Ajuda a seguir, bola pra frente.

Tenho muita vontade de mostrar aqui, as várias Carol que fui, ao longo destes 28 anos. Algumas mudanças aconteceram com o tempo, o amadurecimento sempre vem, querendo ou não. O mais importante, que eu desejo compartilhar, são as mudanças feitas a “ferro e fogo”. Aquelas que não te dão muita opção, sabe? Ou você aprende e muda, ou você fica dando murro em ponta de faca. Então, o risco é de ficar “falando” sozinha, eu e meus botões. E do que vale isso tudo, se não posso dividir, com quem interessar possa? Como tudo na vida, até que teria um lado bom, assim não esqueço das coisas que aprendi, relendo a construção de meus valores. Mas afinal, quem de verdade se importa?



“... Aqui sou eu sozinho
Do outro lado não sei...”

(Aviso Aos Navegantes - Lulu Santos)

domingo, 12 de outubro de 2008

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!


"Sou uma mulher madura, que as vezes brinca de balanço.
Sou uma criança insegura, que as vezes anda de salto alto."


Martha Medeiros

sábado, 11 de outubro de 2008

Coisas a contar sobre minha infância



Acordei cedinho, como faço desde bebê. Pra desespero da minha mãe, jamais fui destas crianças que tiravam um soninho no meio da tarde e dormia um pouco mais pela manhã.
Saí da minha cama e na passagem ela me chamou, pra deitar um pouco ao seu lado. Estávamos lembrando e rindo, das histórias que tenho, da minha infância. Daria um livro bem divertido. Sempre fui muito curiosa e esperta, TERRÍVEL seria uma boa definição. Com meus 4 anos descobri o que era menstruação e fiquei fascinada. Acho que acabei vendo minha mãe usar um absorvente e daí em diante queria ser mocinha, que pela explicação da mamãe era quando eu usaria também. Sem ela saber, comecei a usa-los, passando batom para imitar o sangue. Teve um dia que estávamos no carro do meu pai, indo consultar, de repente lembrei do “Modess” e perguntei:
- Mamãe, o médico vai me examinar?
_ Claro filha!
Não tive dúvida, arranquei da minha calcinha e joguei pela janela. Mamãe queria morrer de vergonha. Imagina se cai num vidro de outro carro... Mas qdo se é criança tudo é simples assim, resolvido na hora. Teve outra vez que fomos até uma pracinha, eu e meu absorvente. Era um dia de muito calor e aquilo começou a me incomodar. Na maior naturalidade, fui onde estavam todas as mães e perguntei a minha, se podia tira-lo. Isso com ele já em mãos...
- Meu Modess, mamãe.
Tadinha, já fiz ela passar por situações que racham a cara de vergonha.

Papai tem uma irmã solteirona, que morava junto com minha vó. Elas brigavam muito e devo ter escutado alguma coisa da minha mãe comentando. Um dia, essa tia veio em casa com dois presentes, um pra mim e outro pra minha mana, eram duas colchas lindas, que ela havia feito. Mamãe conta que conhecia minha cara. Qdo eu ficava parada, analisando a pessoa, é que chumbo grosso vinha por aí. Depois de olhar pra minha tia, falei na maior ingenuidade:
- Viu mamãe? Depois a senhora fala que ela é ruim...
O bom de ser criança é não ter papas na língua, e isso pelo simples motivo de estar despido de maldade. Tanto eu, como minha mana, fomos sendo ensinadas das malícias de “gente grande” conforme fomos crescendo. Tudo natural, sem pular etapas ou atropelar o tempo. Lembro qdo aprendi sobre as drogas e que não devia aceitar nada de estranhos. Podia ser quem fosse, se vinha alguém oferecendo algo, já ouvia:
- Não posso aceitar, moço. Pode ser “dógas”.
Ah! Tem a vez que começava a aprender a ler, encontrei uma revista em casa e fui até o papai.
- Olha papai, como já sei ler: fazendo SEXO (lido com som de xo) seguro...
Era algo deste tipo. Minha mãe veio correndo, ver que eu fazia com uma revista dessas. E LÓGICO que veio a indesejada perguntinha:
- Que é sexo, mamãe?
Papai deve ter ficado vermelho e com certeza sobrou pra dona Vanda. Nessas horas, qdo são filhas mulheres, sempre sobra pras mães mesmo.

As lembranças mais remotas que tenho, são dos meus 3 aninhos. Nessa época minha mãe trabalhava no Hospital de Clínicas. Na saída da escolinha, papai levava eu e a minha irmã pra buscar a mamãe no trabalho. Ela trabalhava na Hemodinâmica e aqueles corredores do andar, que não tinham quase ninguém, dava um misto de medo e aventura. Posso sentir até hoje, o cheiro da borracha das luvas, que as enfermeiras enchiam com ar e me davam, com rostinho pintado a caneta. Saía tbém cheia daqueles palitinhos de examinar gargantas e propé, que na minha imaginação infantil, eram sapatinhos mágicos. Engraçado que nunca quis seguir os passos de minha mãe. Deve ser pq morro de medo de doença, sentir dor... Injeção então, é dos maiores pavores que trouxe pra vida adulta. Sempre que brincava com minhas bonecas, ou até mesmo qdo perguntavam o que seria qdo crescesse, já sabia.
_ Quero ser “pofessora”.
Hoje vejo crianças vivenciando o que já passei. Vejo o brilho em cada olhinho, ao descobrir um mundo novo. Vejo a simplicidade das coisas que os encantam e posso me ver através de cada um deles.

Estas são somente algumas passagens da minha vida. Nossa, são tantas histórias! Lembro sempre da minha infância com muita saudade. Fui uma criança feliz e que aproveitou tudo que podia. Devo muito do que sou hoje em dia a tranqüilidade e amor, que recebi naquela época. Era um mundo totalmente diferente, outra realidade, mas mamãe fazia dos nossos dias um eterno conto de fada, era um tempo mágico. Queria poder reencontrar esta ingenuidade no meu dia-a-dia, pra que ao reler a história que escrevi até aqui, possa me ver como aquela heroína encantada, que a Carol criança sonhou pra mim.

Serei pra sempre aquele adulto que não esquece a criança que já foi um dia.

Quem sabe ainda sou aquela menininha...

Valsa para uma menininha
Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho

Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha, não cresça mais não
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão




Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim
E você vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Teu bicho-papão




Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
E também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei



PS. As duas fotos são da menininha aqui.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Gente inocente

Domingo é dia das crianças. Quais valores tens passado pros seus filhos? Até quando iremos cobrir o sol com a peneira e deixar que nossas crianças ignorem a realidade do mundo?



Se você tiver um tempinho, aproveite este sábado e doe seu precioso “tempo” há quem realmente necessita. Procure aí na sua cidade, qualquer casa de amparo a crianças carentes, ou até mesmo uma ala pediátrica de um hospital público, um centro recreativo que seja; tire meia hora pra voluntariar. Leia um livro, conte piadas, faça desenhos, solte a voz cantando, sente no chão e brinque. Permita-se fazer parte do mundinho deles. Você verá que não precisam de nada mais. Que um colinho, um afago, sua ATENÇÃO é um tesouro.

Quando cuidamos de uma criança, cuidamos de Deus. Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a. Vamos cuidar destes pequenos, muitos deles entregues a própria sorte. E que mostremos valores fraternais, aos nossos de casa. Pra que aprendam que o brinquedo não vem pra todos, mas o sentimento de humanidade é gratuito e inesgotável, devemos praticar com que precisa. Ensinem seus filhos a repassar o brinquedo usado. E como bons pais, dêem exemplos de amor ao próximo, ajudando nossos pequenos irmãos, a sentir o gostinho de brincar, feito criança de verdade, como deve ser.

Proponho a todos que façamos a nossa parte.

Carol

Jhoninho

Eu amo gatos e fico uma “ arara”, de tão brava, quando vejo alguém dizer que não gosta deles, por serem animais egoístas. Sempre tive bichinhos de estimação. Foram gatinhos, cachorros, coelhos, pintinhos, porquinhos da índia, periquitos e peixinhos. Minha mãe é do seguinte conceito: todo amiguinho, de 4 ou 2 patas, traz uma importância enorme pro desenvolvimento da criança. E assim fui crescendo, tendo o prazer de conviver com meus bichos.

Sete anos atrás nosso gatinho tinha fugido e nunca mais voltou. Como não era a primeira vez que ele aprontava, nos primeiros dias ficamos esperando sua volta, mas entrava semana, meses e nada. Qdo a ficha caiu de verdade, fiquei muito triste e minha mãe disse que não teríamos mais nenhum animal em casa, no fim todo mundo se apega muito e sempre era o mesmo sofrimento. Mas quem disse que a gente resiste? Foi aí que entrou o Jhoninho em nossas vidas. Minha dinda o pegou na protetora dos animais, logo que desmamou. Foi presente d véspera de aniversário, já que ele chegou em casa num dia 7 de setembro. Era tão feinho, virado em olho, magrinho que só vendo. Mas aqueles olhinhos encantaram todo povo daqui e nem demorou muito, todas babávamos pelo gato. E gatinho bebê é a coisa mais fofa do mundo, todo atrapalhado, da vontade de apertar. Teria tantas e tantas histórias pra contar dele e farei isso, mas hoje tenho uma especial, sobre nós dois.

Sempre que chego do trabalho minha mãe abre a porta do nosso apartamento e ele desce escada a fora, pra me esperar. Tem vezes que só enxergo aquela carinha linda, me espiando. Como todo mundo que tem gato sabe, eles sempre escolhem as pessoas de casa por uma função. Com minha mãe ele é só dengo, pede colo e carinho, xodó da vovó. A Karika é encarregada pela comida e água, sempre que quer algo, pára na frente dela e mia na direção da cozinha. Dormir também é só com ela e tem que ser feito bebê, deitado no braço, só com a cabecinha pra fora das cobertas. Já eu, sou o parque de diversão. Sou a única que brinco com ele, me refiro a brincar mesmo: pega-pega, esconde-esconde, jogar bolinha, essas coisas. Ele não pode me ver que já fica “ladiado”, pronto pra correr. Isso qdo ele não pega minhas pernas e sai “troteando”, depois se esconde e fica esperando eu pega-lo. Só vendo mesmo... São duas crianças em casa.

Não lembro se já comentei aqui, mas sou levemente estabanada. Um dia estava brincando de pique esconde com ele, corri pra me esconder no quarto da minha irmã, acontece que no meio do caminho tinha uma quina de cama, que acertou em cheio meu joelho. Na mesma hora cai no chão, sentindo muita dor. Do jeito que cai, fiquei. O jhoninho vinha logo atrás de mim e levou um sustão. Comecei a chorar, nisso ficamos só eu e ele, já que minha mãe e mana pensavam que eu estava brincando.

Naquela hora não sei o que passou na cabecinha dele, mas pulou na cama, bem na altura do meu rosto e me olhou nos olhos. Ficou me olhando chorar, com uma carinha de assustado, então ele foi chegando mais pertinho, deu uma cheiradinha e começou a lamber meu rosto, molhado com minhas lágrimas. Era como se me consolasse, sabe? Naquele segundo, estávamos ligados por uma força bem maior, que não distingue ser humano de animal, racional do irracional, era um contato de coração pra coração. Depois chegou minha mãe, que me xingava por tentativa de suicídio, questionando se queria me matar, esses “exageros de mães”. Minha irmã ria. Ria muito. Vai ver que da minha cara de choro e da situação “tragecômica” . Esta casa é de louco mesmo.

No meio daquela pequena confusão, até esqueci da dor, tinha um leve sorriso no rosto. Daqueles de quem traz consigo um grande segredo. Agora eu sabia, minha batalha em defesa dos meus amigos gatinhos não era em vão. Não é só o cão o melhor amigo do homem. O que pode ser maior que a sintonia do coração?

EU AMO GATOS!
AMO MUITÃO O MEU!

S.O.S


Não sei se acontece com todos, mas tem momentos que preciso de um tempo. Ficar só, para pensar na vida. Sou uma constante observadora e nessas horas, coisa que mais gosto, é sentar e ver a vida passar, poder assisti-la de camarote.
Sempre brinquei de adivinhar o que as pessoas estavam pensando. Escolho uma pessoa qualquer, ou uma situação e tento absorver um pouco do que a linguagem corporal pode me mostrar. Dificilmente algo passa desapercebido por mim. Gosto de detalhes e como boa virginiana me atenho a minúcias. Ando nas ruas buscando o olhar das pessoas. Adoro fisionomias e expressões, me fascina saber que cada um tem sua história.
Você ficaria surpreso, se prestasse mais atenção nisso. As pessoas falam com os olhos. Vejo felicidade, tristeza, dor, paixonite aguda, preocupação, etc. Um dia ainda serei terapeuta voluntária, a serviço do ser humano. Criaria o S.O.S solidão.
Acabei de lembrar uma coisa, que sempre acontece comigo... Descobri que nasci com um imã, já que atraio gente “carente de atenção”. Sou a miss simpatia entre a terceira idade. Pode ser num ônibus, numa fila, sala de espera, supermercado, banco de praça, quando vejo chega alguém e começa a conversar.
Se tem uma coisa que não sou é grosseira. Ficaria muito mal, deixando a pessoa falando sozinha, como vejo muitos fazerem, ignoram na maior cara de pau. Falta educação. Como não me custa nada, ouço com atenção, olhos nos olhos. Até pq as vezes a pessoa precisa somente disto, desabafar. Graças a Deus tenho minha família, tenho amigos, pra quem posso correr e pedir colo,seja quando for. E aqueles que não tem?
Cada vez que uma vovó se aproxima, lembro da minha vó Corina. Imagino ela conversando com alguém que a desrespeite ou simplesmente fizesse pouco caso. Não posso agir assim; primeiro pq tenho educação e segundo pq também serei velhinha um dia, num mundo de jovens sem tempo e impacientes.
Não sou muito de falar, nunca fui. Fico mais solta quando estou entre amigos ou no trabalho, com minhas crianças. Fora isso sou mais retraída e passaria tranqüila por anti-social e “metida”. Porém, não sou. É apenas meus jeito tímido de ser. Contudo, tenho este meu lado “ouvinte” bem apurado e considero um dom. O coloco a disposição de quem precisar. Posso não ser das melhores conselheiras, mas ajudo como posso, de coração.
Enfim, o peso de um problema sempre fica mais leve, quando dividimos com alguém.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Você é isso...

Ando sumida, meio de arrasto. E com preguiça mental também... hehehe
Talvez por andar adoentada esta semana, estou mais sentimental, dengosa.
Lembrei de uma canção, que mamãe cantava para dormirmos. Faz tanto tempo, mas é incrível, como tem coisas que basta apenas fecharmos os olhos e estarão aqui, no presente.
Recordar é viver.



"Você é isso
Uma beleza imensa
Toda a recompensa
De um amor sem fim
Você é isso
Uma nuvem calma
No céu de minh'alma,
É ternura em mim.

Você é isso
Estrela matutina
Luz que descortina
Um mundo encantador
Você é isso
Parto de ternura
Lágrima que é pura
Paz do meu amor."


(A Paz do meu amor - Luiz Vieira)

domingo, 5 de outubro de 2008

Domingo



Casa cheia de gente, festinha de aniversário da minha irmã.
Comemorar é bom demais. Muitas risadas, histórias e docinhos controlados, assim mesmo, MUITO BOM.
Agora, o povo já foi embora... Uma música tocando, enquanto pensamentos viajam no tempo.
Já não olho mais pra atrás, pois me encanta, a imensidão que tenho pela frente.






“Por onde andei?
Enquanto você me procurava
Será que eu sei?
Que você é mesmo
Tudo aquilo que me falta...”

(Por onde andei - Nando Reis)

Tempo x tempo


Naufrago é um dos meus filmes favoritos, a começar pela trilha inicial, Elvis (amo de paixão) e depois por Tom Hanks, que está excepcional, levando o filme sozinho. Cast Away não é nenhuma super produção, daquelas tipo trilogia, mas seus efeitos visuais falam por mil palavras. Gosto mesmo pq é um filme tocante, que mexe com a emoção, daquele que souber decifrar suas mensagens subliminares. Mesmo depois de 8 anos, segue um filme atual e tende a continuar assim, já que as pessoas tornam-se cada vez mais ESCRAVOS DO TEMPO.
Ele nos sugere que nossa vida não deve ser controlada pelo andar de ponteiros. Pois sempre que isso acontece, uma força maior e muito superior a nós intercede, mostrando valores realmente importantes. E, como todo ser humano, tendemos a aprender na dor.
No meu dia a dia não me prendo mais a isso. Há anos não sei o que é usar um relógio em meu pulso, ou até mesmo, ter meus passos "pré-estabelecidos", em uma agenda. O que importa são momentos e, todos sabemos, que somente ao cara lá de cima pertence o futuro. Então, o negócio é intensidade, curtir tudo como se fosse a última vez. Fazer valer os sentimentos, através de atos e palavras. Não deixe nada pra amanhã, pra depois... Pode ser tarde demais.
Troco um relógio por uma bússola. Entrego o “controle” e fico com uma “direção”.

"Eu sei o que eu tenho que fazer agora. Eu tenho que continuar respirando, porque quem sabe o que a maré me trará amanhã?"
(trecho do filme)

sábado, 4 de outubro de 2008

Dia 4 de outubro - Dia mundial do animal



Encontrei seu cão
autoria desconhecida

Hoje encontrei seu cão. Não, ele não foi adotado por ninguém. Aqui por perto, a maioria das pessoas já têm vários cães; aqueles que não têm nenhum não querem um cão. Eu sei que você esperava que ele encontrasse um bom lar quando o deixou aqui, mas ele não encontrou. Quando o vi pela primeira vez, ele estava bem longe da casa mais próxima e estava sozinho, com sede, magro e mancava por causa de um machucado na pata.
Eu queria tanto ser você naquele momento em que parei na frente dele. Para ver sua cauda abanando e seus olhos brilhando ao pular nos seus braços, pois ele sabia que você o encontraria, sabia que você não esqueceria dele. Para ver o perdão em seus olhos pelo sofrimento e pela dor por que ele havia passado em sua jornada sem fim à sua procura... Mas eu não era você. E, apesar das minhas tentativas de convencê-lo a se aproximar, seus olhos viam um estranho. Ele não confiava em mim. Ele não se aproximava.
Ele virou as costas e seguiu seu caminho, pois tinha certeza de que esse caminho o levaria a você. Ele não entende que você não está procurando por ele. Ele só sabe que você não está lá, sabe apenas que precisa te encontrar. Isso é mais importante do que comida, água ou o estranho que pode lhe dar essas coisas.
Percebi que seria inútil tentar persuadi-lo ou segui-lo. Eu nem sei seu nome. Fui para casa, enchi um balde d'água e uma vasilha de comida e voltei para o lugar onde o havia encontrado. Não havia nem sinal dele, mas deixei a água e a comida debaixo da árvore onde ele havia buscado abrigo do sol e um pouco de descanso. Veja bem, ele não é um cão selvagem. Ao domesticá-lo, você tirou dele o instinto de sobrevivência nas ruas. Ele só sabe que precisa caminhar o dia todo. Ele não sabe que o sol e o calor podem custar-lhe a vida. Ele só sabe que precisa encontrá-lo.
Aguardei na esperança de que voltasse para buscar abrigo sob a árvore, na esperança de que a água e a comida que havia trazido fizessem com que confiasse em mim e eu pudesse levá-lo para casa, cuidar do machucado da pata, dar-lhe um canto fresco para se deitar e ajudá-lo a entender que agora você não faria mais parte de sua vida. Ele não voltou aquela manhã e, quando a noite caiu, a água e a comida permaneciam intocadas. Fiquei preocupada. Você deve saber que poucas pessoas tentariam ajudar seu cão. Algumas o enxotariam, outras chamariam a carrocinha, que lhe daria o destino do qual você achou que o estava salvando — depois de dias de sofrimento sem água ou comida.
Voltei ao local antes do anoitecer. Não o encontrei. Na manhã seguinte, voltei e vi que a água e a comida permaneciam intactas. Ah, se você estivesse aqui para chamar seu nome! Sua voz é tão familiar para ele. Comecei a ir na direção que ele havia tomado ontem, sem muita esperança de encontrá-lo. Ele estava tão desesperado para te encontrar, que seria capaz de caminhar muitos quilômetros em 24 horas.
Algumas horas mais tarde, a uma boa distância do local onde eu o havia visto pela primeira vez, finalmente encontrei seu cão. A sede não o atormentava mais. Sua fome havia desaparecido e suas dores haviam passado. O machucado da pata não o incomodava mais. Agora seu cão está livre de todo esse sofrimento. Seu cão morreu.
Ajoelhei-me ao lado dele e amaldiçoei você por não estar aqui ontem para que eu pudesse ver o brilho, por um instante sequer, naqueles olhos vazios. Rezei, pedindo que sua jornada o tenha levado àquele lugar que acho que você esperava que ele encontrasse. Se você soubesse por quanta coisa ele passou para chegar lá... E eu sofro, pois sei que, se ele acordasse agora, e se eu fosse você, seus olhos brilhariam ao reconhecê-lo, ele abanaria sua cauda, perdoando-o por tê-lo abandonado.

"Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais."
Alexandre Herculano

Eu voto por EDUCAÇÃO.


Amanhã é dia de votar e escolher o rumo que “sonhamos” pra nossa cidade... Só fica no sonho mesmo, pq “acontecer” tá difícil, viu? Não tenho boas lembranças, de um certo domingo de eleição, há uns 10 anos atrás. Pra que vcs entendam, é preciso dizer que moro em um bairro de Porto Alegre, onde concentra-se o maior “burburinho” nessas épocas. Pq aqui pertinho de casa estão os diretórios centrais, dos principais partidos. Ficam praticamente lado a lado. Dia de votação é o verdadeiro inferno, pq os militantes tomam as ruas e fazem delas um espaço “democraticamente desorganizado”, para exaltar suas preferência.

Lembro que depois de ter votado, fui até a redenção (Parque Farroupilha), pegar um sol e ver gente. Qdo voltava pra casa, os ânimos já estavam todos exaltados, na espera pela apuração dos votos. Minha mana e eu atravessamos uma rua e a poucos metros estava a esquina do meu apartamento. Levava no peito um bóton, do candidato que havia escolhido e acredito que tenha sido este o motivo pra maior demonstração de ignorância e covardia que já presenciei. Não sei de onde veio, mas passando entre uma multidão de pessoas, senti estalar um tapa em meu rosto. Nunca, em minha vida, havia se quer levado palmadas, nem dos meus pais, nem de ninguém. Sei dizer, que naquela hora, a dor que senti foi da humilhação e da vergonha. Naquele momento, tinha vontade de sumir. Não tive reação, pq não conseguia se quer me mover. Recordo minha irmã, me puxando pelas mãos e de pessoas indignadas, querendo saber se estava tudo bem... Como poderia estar?

Engoli o choro e corri, o máximo que pude, até chegar em casa. Aí pronto, desmoronei em prantos. Era um choro sem fim, doído mesmo... Isso me marcou pra uma vida toda. Desde então, tenho verdadeiro pânico de multidão. Brigas então me deixam super nervosa, tensa, gelo as mãos. Não gosto de assistir nem em ficção.
Amanhã é dia que acordo cedinho, pra cumprir meu dever cívico. Logo depois, ainda na calmaria do despertar dos mais dorminhocos, já estou de volta ao refugio do meu lar, na segurança que só tenho mesmo em casa.

Fazia tempo que não lembrava disso. A verdade, é que a lembrança daquele domingo, só retorna a cada 2 anos. Já nem me pergunto mais “pq eu?”. Pq, naquele momento, aquele tapa tinha que ser dado em mim? O que leva as pessoas a agirem assim, feito animais irracionais? Pq? Pq? Pq? O que sei é, que enquanto não houver EDUCAÇÃO, no sentido amplo da palavra, não se pode esperar muito de pessoas como esta, que naquele dia, infelizmente, acabou cruzando meu caminho.

Carol

“A gente digita tanto número...
No fim, sempre dá 171!”

Alexandre Oliveira

Em tempo...

Dane-se a moderação!
Foi pro ralo o auto-controle, pq rasga em meu peito uma vontade imensa, de transformar-me em palavras... Definitivamente, vivo pensando.

=)

Vida



♫ Se vc é jovem ainda, jovem ainda
Amanhã velho será, velho será
Ao menos que o coração...
Que o coração sustente
A juventude que um dia morrerá ♪

Yes, nós temos bananas

Andei, uns dias atrás, com umas dores de cabeça, alguns mal estar e enjôos. Passava o dia todo assim. Tinha alguns momentos de alívio, sobre efeito dos meus “amigos” analgésicos, mas passado o efeito voltava a “fofoca” toda. Descartada a possibilidade de um baby, fomos investigar o que poderia ser.
Um detalhe de extrema importância: sou praticamente uma formiga, enlouquecida por doces. Balinhas são minhas fiéis companheiras.
Como educadora infantil, tenho aliados e cúmplices, já que vez ou outra gosto muito de reparti-las com as crianças. Pra vcs terem uma idéia, eles me vêem e já perguntam o que eu trouxe de bom.
Acontece que não posso me passar e acabei perdendo um pouco a linha. Então, este meu organismo “dedo duro”, acabou me entregando.
Resumo da ópera: estou terminantemente proibida, por ordens médicas e da dona Vanda, de se quer chegar perto de um mísero saquinho de balas, ou qualquer coisa “docemente” semelhante.
Tentei uma negociação, mas meu poder de persuasão não é mais o mesmo... Agora carrego “banana desidratada” na bolsa. É isso mesmo, BANANA.
hauhauhauhauhauhauhaua

Saudade das minhas balinhas... ai ai ai

Atitude


Ontem pela manhã estava me arrumando para o trabalho, depois de pensar um pouco, tinha escolhido por uma calça e uma blusinha mais “fresquinha”. Tomei um banho e fui me vestir... Daí começa essa história.
Sabe aqueles dias que vc se olha no espelho e parece que o tempo pára? Naquele segundo vc está realmente vendo sua imagem, que muitas vezes na correria do dia a dia, passa desapercebida. Eu mesmo, que nunca fui escrava deste objeto e muito menos narcisista, dava só uma “tapiada”, olhava se dava pra encarar mais um dia de labuta e saía. Pois ontem foi diferente.
Pude ver o qto mudei e nem ao menos havia percebido. É verdade que as mudanças internas, ao contrário, não passaram em branco. Porém, só agora pude ver como elas refletiam em meu corpo. Gostei do que vi. E mesmo com algumas “marcas” que ficaram, até pelo processo que passei, minha imagem naquele espelho refletia a felicidade.
Tem idéia do que é a perfeição da natureza humana? Qdo as coisa não vão bem, mesmo contra nossa vontade, acabamos entregando o jogo. Pode se ver pelo olhar, pela pele, através do nosso corpo... Ele sempre dá sinal. Fala, até mesmo qdo nos calamos. Pouco tempo atrás, passei por um certo “desconforto”, perante este mesmo reflexo. Entretanto, ele nada mais era do que o espelho do meu cansaço, do desânimo, da desmotivação e do medo.
As coisas mudam... Ainda bem! Mesmo com algumas manchinhas, uma ou outra cicatriz, certos quilinhos a mais, com tudo isso, me vi tão linda. Acredita que dei o desfrute de ficar me namorando? Pois é.... Quem te viu, quem te vê. Hehehe
Ah! A blusinha... Era um pouco “fresquinha” demais pro meu gosto. Tipo “peito na bandeja”, sabe? Nem pensei duas vezes, peguei uma outra, de alcinhas e fiz uma sobreposição. Foi aí que cheguei a uma conclusão: tem coisas na vida que realmente não mudam.
Sensualidade definitivamente não combina comigo. Sou discreta e tímida demais pra isso. Talvez por não senti-la em meu íntimo. Pq pra mim, ser sexy é uma atitude. Aqui falta pimenta e sobra glicose. Classificaria minha beleza como algo mais clássico, natural, água com açúcar... Vem de dentro pra fora. E pro modo de vida que escolhi, está é bom demais.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O gato comeu sua lingua?

Lembrei agora, o que um amigo dizia:
“Carol, da maior preguiça ler esses textos enormes que vc escreve...”
Vou acionar o “auto-controle” e tomar pílulas de moderação, tentando escrever menos, bem menos... hehehe
Se escrever é pensar e criar, vai ver estou pensando demais...



quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Era uma vez no sonho


Sentada em frente ao palco, podia sentir o frescor do gelo, a cada deslizar. Assim como sentia meu coração disparar, cada vez que tocava uma canção, que inevitavelmente me remetia aquela menininha, sonhadora e cheia de esperança, descobrindo um mundo mágico. Olho para o lado e vejo minhas aluninhas encantadas, nem piscavam. Fiquei por um tempinho, só observando o brilho nos olhos destas crianças, a cada nova princesa que surgia, a cada jogo de luz, que transformava aquilo em algo inesquecível.

Na minha infância não existiam espetáculos assim, ao menos não aqui no sul. Era tudo mais lúdico, nossa imaginação se encarregava de criar o universo encantado, onde as princesas (geralmente criadas a minha semelhança) eram felizes para sempre. A gente cresce e vai descobrindo o tal “mundo real”. Vemos que nem tudo é tão fácil, onde a boa vontade de um príncipe e uma simples espada, usada pra combater o mal, não nos livrará de monstros, dragões e bruxas malvadas. Até pq o mal não tem aquela cara feia, não cospe fogo e nem é monstruosamente gigantesco.

As vezes o mal tem carinha boa, convincente, dissimulada. Pode estar bem ao nosso lado, no vizinho de porta ou até mesmo dentro de casa. Ele tbém pode estar dentro de nós. Pq não? O bem e o mal vivem em cada um, fazem parte do ser humano. O que temos é o livre-arbítrio, que nos traz livre escolha, livre opção, em todas as situações da vida. Temos tbém, a cada dia, a possibilidade do recomeço.
No mundo de hoje, onde as crueldades parecem ser cada vez mais comuns e cotidianas, o que nos salvam são os sonhos. Ao menos pra mim...

Teve só uma vez, qdo perdi meu pai, foi por um momento, mas deixei de acreditar neles. Sabe que automaticamente junto foi todo o brilho da vida, perdeu a cor, o gosto... Literalmente. Dá um vazio, medo e muita insegurança, pq perdendo em que acreditar, deixando de sonhar que dias melhores virão, vc perde todo o sentido da vida. Pq são os sonhos, sejam eles de curto ou longo prazo, que nos impulsionam pra frente. São eles que nos fazem batalhar pelo que queremos. São eles que nos fazem crianças novamente, buscando incansavelmente pelo algo mais, pelo “felizes para sempre”. Ou como já dizia o sábio: “que seja eterno enquanto dure”.

A felicidade é representada de maneiras diferentes, dependendo de cada pessoa. Cada um sabe como busca-la, de acordo com o que o faça mais feliz. Tem gente que não tem nada nessa vida. Passa trabalho, falta dinheiro, alimentação, respeito e muito daquilo que as vezes temos e não damos valor. Da mesma forma, tem gente que tem tudo e jamais passou necessidade, nem mesmo se quer conheceu a palavra frustração. Essas duas pessoas, mesmo diferentes, podem ter em comum o “sonhar”. Mas somente um deles será alimentado pela esperança e pela fé. Dará liberdade e há de tirar todos limites, seja eles quais forem. Pra quem não tem nada, sempre restarão os sonhos, basta sair pela janela da liberdade, pq dentro deles nada é proibido.

Todo mundo pode ser feliz. Todo mundo tem obrigação de buscar a felicidade. Pq está morto quem não tenta, quem desiste, quem entrega os pontos. Acredito que os contos de fadas nos preparam pro real sentido da vida, despertando nossos sentimentos e valores. Ainda crianças, cada um de nós extrai um pouco daquelas histórias e leva junto consigo. Essa é a magia que os escritores querem nos passar, pq não importa a idade, no mundo das fadas vivemos em encantamento, pra sempre.

“Sonhar é fazer do impossível o possível, quando e como quiser o coração.”
Telmo Reis

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Adoro clássicos

Esta será a programação, pra tarde de amanhã, com meus anjinhos assistirei:




Depois conto como foi, já que quase nem tive infância... hehehe

Por falar em amor, lembrei de vc...

Esse texto era pra ter sido escrito ontem, mas uma boa causa acabou me impedindo. Era tbém a razão, pra ele tomar vida. Minha mana. Ontem, pra enfim encerrar as festas do mês de setembro, era aniversário dela. Não lembro de nada, de um 30 de setembro, há exatos vinte e seis anos atrás, data que ela chegava ao mundo. Um pacotinho, com mais de quatro quilos e quase o tamanho de um bebê de três meses. Vendo as fotos, não consigo imaginar o que passava em minha cabeça, sentadinha com minha mãe, naquela cama do hospital, com a “usurpadora de atenção” ao lado.

Nossa mãe conta que tive um pouco de ciúmes, nos primeiros momentos e só. Assim que a Karine veio pra casa, tomei conta do campinho e, se deixassem, queria tomar conta de tudo, nos altos dos meus dois anos. Minha mana era tipo minha “bonequinha” e eu adorava colocar o dedinho nos olhinhos, na boquinha, apertar, puxar, pegar no colo, colocar e tirar a chupeta... Essas coisas que fazemos com nossas pobres bonecas e que os adultos acham um mimo, nosso “ instinto maternal”. Acontece que minha mãe não podia piscar e lá estava eu, “brincando” com a Karika (apelido que dei e ficou até hoje).

As lembranças mais remotas que tenho, são aos meus quatro aninhos, qdo estudávamos no mesmo colégio. Eu cursava o jardim da infância e ela estava no berçário. Lembro de aproveitar a hora do pátio e dar umas fugidinhas, pra ver se a minha “maninha” estava bem. E os anos foram passando... Agora já tinha uns nove anos e ela entrava pra primeira série. É recreio e posso me ver no pátio da nossa escola, sempre na volta, cuidando... Fazendo o papel de “mana mais velha” e me achando a toda poderosa. Isso seguiu por muitos e muitos anos.

Não sei bem ao certo qdo aconteceu, mas teve um dia que batemos de frente. Aquela menininha, que me considerava a “super-irmã”, agora tinha crescido e aprendido a caminhar sozinha, sem preciso de “escolta”. Foi um baque, pq a verdade é que sempre amei ser a mais velha e até então não tinha visto que aquele pacotinho era independente, havia cortado o cordão umbilical. Cedo criou asinhas e quis voar... Karika, como boa libriana, preza muita a liberdade, sempre com os dois pés no chão. É o ponto de equilíbrio da casa. Estou pra ver pessoa mais “caxias” que ela, qdo se trata de todo e qualquer assunto que ela ache correto e justo. É teimosa tbém, birrenta e MUITO, mas muito brava. Nesses momentos prefiro não bater de frente... Dá medo, viu?! Hehehe Ao contrário de mim e minha mãe, ela é mais séria, reservada e discreta. É difícil vê-la falando besteiras ou fazendo chacota, de algo que aconteceu, certamente por ser a mais diplomática e politicamente correta das três. Sem graça essa guria. Humpf

Karine e eu temos poucas coisas em comum... Pra começar, parecido mesmo, só os nomes. Até hoje desconfio que minha mãe almejava a fama pras filhotas, quem sabe uma dupla sertaneja... rsrsrs Sério mesmo, não acho que somos parecidas, nem fisicamente. Acontece que temos o mais importante, somos unidas e nos amamos muito. Sempre digo que tenho uma família pequena, já que somos apenas as três, porém estruturada no amor e respeito; e isso nos faz uma fortaleza. Adoro ter dividido praticamente minha vida inteirinha com ela, assim como roupas, brinquedos e a atenção. Gosto de ver, que no geral, continuamos as mesmas... Que é bom demais, deitar contigo e dividir histórias. Está certo que agora não são mais contos de fadas, mas nos fazem viajar do mesmo jeito, entretanto numa viagem pra dentro de nós. E são nesses e em outros momentos, tão peculiares nessa nossa jornada como irmãs, que o tempo pára e aquela força maior que tudo, chamada “laços do coração”, pulsa mais forte. São todas essas horas, exatos sete dias por semana, vinte e quatro horas por dia, que me tornam tão feliz, por ter vc comigo, como minha maninha.

O que posso te desejar, pelo teu aniversário? Saúde. Pra que possamos continuar assim, do jeitinho que somos, por muitos e muitos anos ainda. Felicidade faz morada aqui em casa... E mesmo qdo ela dá um tempo longe, tira umas férias, fica sempre um “rastro” dela, em nossos corações. E isso só acontece pq somos o TRIO PARADA DURA, não é? rsrs

Te amo muito Karika!! Feliz aniversário mana “espetaculosa”!!


Tem mais alguém aqui?